quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Saúde

Amigos, no sábado passei por uma cirurgia e estarei pelos próximos 15 dias me recuperando, o que significa que os posts aqui vão ralentar um pouco. Espero recuperar o ritmo em breve. Baideuei, a cirurgia, delicada e dolorosa, foi um sucesso. Até em breve!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Bebendo no trabalho

Amigos, reproduzo abaixo a materinha que saiu hoje sobre este pobre e desvalido escriba na seção Por dentro do Globo, que é uma espécie de área narcísica do jornal, com histórias sobre o trabalho no dia-a-dia do Globo. No caso trata-se de uma matéria que vai sair amanhã (domingo, dia 25/2) sobre a venda e aluguel de chopeiras móveis. Na foto, detalhe da minha mesa:



"Bebendo a trabalho

Jornalismo e boemia sempre andaram de mãos dadas na história da imprensa brasileira. A intimidade entre a profissão e o bar é tanta, que alguns botecos até se notabilizaram pela freqüência assídua de homens da imprensa. Muitas pautas que se transformaram em reportagens premiadas começaram em conversas nos botequins. Mas, o momento da reportagem e da redação da noticia exige extrema sobriedade. É preciso verificar dados, confrontar argumentos e redigir com estilo e graça as informações que estarão nas bancas no dia seguinte.

Por isso, para o redator e repórter Paulo Thiago de Mello, foi uma surpresa o convite inusitado da colega Tatiana Clebicar para participar como jurado de uma degustação de chope — na redação e em pleno horário de trabalho —, para uma reportagem sobre a qualidade das chopeiras móveis, daquelas que alguns alugam quando vão dar festa em casa.

— Beber à trabalho? É claro que topo — respondeu brincando o jornalista, que é um dos autores do guia Rio Botequim e escreveu uma dissertação antropológica sobre a sociabilidade nos bares da cidade.

O objetivo da matéria, que sairá domingo na Revista do Globo, é oferecer ao leitor um serviço sobre o aluguel e venda de chopeiras móveis a partir da opinião de especialistas em chope — além de Paulo Thiago, também participaram do júri, a publicitária Mila Chaseliov, autora de uma monografia sobre a transformação do botequim em grife; e Nelson Rodrigues Filho, dono do Barbas, bar que marcou época.

— O duro foi voltar da degustação e trabalhar no fechamento da Economia — disse Paulo Thiago, com inveja dos colegas de júri, que continuaram a “árdua tarefa”.

A quantidade de chope, evidentemente, não foi suficiente para alterar, digamos, o estado mental do degustador. Mesmo assim, exigiu a ingestão de bastante água e um bom cafezinho para restituir ao normal a sua acuidade.

— Em outra circunstância, seria motivo para uma dispensa por justa causa — brincou Paulo, referindo-se à proibição expressa do uso de bebida alcoólica na redação. — Mas fazemos qualquer sacrifício pela profissão."

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Novo objeto no doutorado


A redação do Globo, começando a esquentar, algumas horas antes do fechamento do jornal

Esta semana, a um ano e meio do prazo final de defesa, troquei de objeto de estudo para a minha tese de doutorado. Em vez de fazer minha pesquisa sobre os chineses que chegaram ao Saara carioca e mudaram as feições daquele mercado popular em meados dos anos 90, vou estudar a redação do jornal O Globo, enfocando a construção da notícia num jornal de grande circulação.

Como já vinha fazendo nos últimos anos um grande investimento no Saara, acho que poderei escrever uns dois bons artigos acadêmicos sobre aquele comércio singular, fazer uma resenha sobre o processo de migração chinês etc e tal. Mas, como os chineses são muito reservados — na verdade, mais do que isso: desconfiados — estava precisando de mais tempo de trabalho de campo para fazer uma etnografia decente. Algo que ainda pretendo fazer, mas agora sem a pressão dos prazos do Programa da UFF. O doutarado tem no máximo quatro anos, sendo dois deles repletos de cursos que o aluno é obrigado a fazer, fora estágio docente e outras exigências. O tempo que estou levando para ser aceito entre os chineses do Saara e o deadline para entregar a tese não estavam casando. Ainda mais porque boa parte do meu tempo estou trabalhando no jornal.

Já no Globo a situação é totalmente a meu favor. Pra começar, estou trabalhando lá, o que me coloca no campo de pesquisa, por assim dizer. O desafio será estranhar aquela realidade tão familiar, de modo a extrair elementos para uma análise antropológica. Mas estou confiante de que poderei fazer um trabalho muito interessante e original. Já vinha pesquisando o Globo sistematicamente desde o ano passado, quando fiz um curso de antropologia da mídia ou algo que o valha. O trabalho final daquele curso ficou muito bom e abriu meu apetite para aprofundar a pesquisa. Depois de um papo muito legal com meu orientador, o professor Marco Antonio da Silva Mello, e fortes sugestões de Soraya (que vai defender em breve sua tese sobre a Cruzada São Sebastião) nesse sentido, a troca foi feita e já estou a todo vapor na pesquisa.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

E o carnaval chegou


O Imprensa Que eu Gamo desse ano saiu muito mais cheio e teve até briga, mas a presença feminina foi um dos destaques

Pois é, amigos, hoje começa oficialmente o carnaval. O desfile do Bola Preta é certamente um dos principais eventos desses tempos de folia e eu sempre aproveito para, depois, encontrar amigos na Adega Flor de Coimbra para uns bolinhos de bacalhau em formato de charuto e emendar com o Bloco do Barbas, cujo banho, conforme já tive oportunidade de registrar no velho Pindorama, é um fenômeno transcendental, que eleva o espírito e lava o baixo astral.


Simpatia do ano retrasado, para mim, um dos melhores blocos de rua da zona Sul

Há duas semanas tivemos o bloco Imprensa que eu gamo, que este ano esteve muito mais cheio e, no fim, uma briga entre pitboys chegou a paralisar a bateria e o samba-enredo. Aliás, não gostei do tema: "passaralho" (demissão em massa no jargão jornalístico). Mas a Jaciara estava linda como porta-bandeira. Foi bacana. Gosto muito da concentração do Imprensa, no Mercadinho São José.


Jaciara, a rainha do Imprensa. Uma das coisas mais lindas desse mundo

Bom, amigos, me deculpem a brevidade do post, mas está na hora de ir relaxar na folia. Deixo algumas fotos do Imprensa deste ano e do Barbas e Simpatia é quase amor do ano retrasado.


Ei-la aqui novamente...

Aliás, falando em Barbas, na edição da revista do Globo do próximo dia 25, serei personagem, ao lado de Nelsinho Rodrigues e Mila Chaseliov, de uma reportagem sobre chopeiras móveis (dessas que se alugam para festas em residências). O texto será de Tatiana Clebicar e as fotos de Marizilda Cruppe. Foi estranho beber nas instalações do Globo no horário de expediente e a trabalho. O que, em outras circunstâncias seria motivo para demissão por justa causa, se tornou o mais digno exercício da profissão. Coisas do jornalismo boêmio.


O banho do Barbas, o momento mais sublime de todo o carnaval

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Viver Rio chega, enfim, ao Rio



Amigos queridos, perdoem a propaganda, mas este post é só pra dizer que já estão nas boas casas do ramo as edições do Viver Rio, meu livro sobre a Cidade Maravilhosa (na foto a versão em espanhol, a brasileira tem a mesma capa). O livro será lançado oficialmente em março, mas, ao passar pela Livraria da Travessa, vi que já estão oferecendo as edições em português e em inglês. Vocês podem imaginar a emoção deste pobre e desvalido escriba ao ver o seu trabalho enfeitando a vitrine daquela prestigiosa livraria. Tenho que passar o contato agora da efitora, as Ediciones Larivière, para o meu amigo Rodrigo da Livraria Folha Seca. A nota triste é o custo: R$ 149 e uns quebrados...

Devo adiantar que o texto não trata a cidade com indulgência. Isto é, não estão ali apenas os aspectos maravilhosos que justificam o apelido do Rio de Janeiro, mas também falo de desigualdade social e violência urbana. As fotos, por sua vez, de autoria do suíço Reto Guntli e do brasileiro Agi Simões, mostram não só a cidade em si, mas também a casa ou estúdio de alguns cariocas ilustres, cujas moradias marcam um estilo de vida carioca. Enfim, está dado o recado.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Reflexões sobre o outro lado da Baía



Soraya
me abriu os caminhos em Niterói. Desde então circulo por essa cidade adorável com os olhos bem abertos e uma sede de tudo. Aprendi com ela a flanar por aquelas ruas, brincar de descobrir sobrados velhos e casas com arquitetura singular. Estive lá no sábado passado para visitá-la. Almoçamos no Jambeiro, entre passarinhos e chope no parque. Vimos a velha casa de seu avô, que será demolida para mais um edifício. Memória e tijolos. Poeira. Também lembramos mais uma vez do grande sábado que nos encontramos com Manduka no Caneco Gelado do Mário. Desde que me levou pela mão por suas ruas do Ingá, de Santa Rosa, Campo de São Bento... ao Chalé, ao Decolores, ao Poste... incorporei Niterói no meu sistema sanguíneo e, agora, a cidade corre em minhas veias. Fiz meu mestrado lá e faço hoje o doutorado. Toda vez que piso no campus da UFF, no Gragoatá, sinto a brisa da Baía e ouço os quero-quero. Antes de chegar ao bloco O, sempre consulto a hora no relógio solar. A sombra projetada pelo sol nunca se engana: estou atrasado de novo... É preciso fazer algum tipo de descompressão quando se vai do Rio para Niterói e vice-versa. Por isso, talvez, o 996 demore tanto para passar no ponto e, depois, outro tanto para chegar do outro lado. Por isso, a ponte. Por isso, a barca singra lentamente, pela Baía. É precido um tempo, antes de entrar na cidade, para que o espírito se adapte. É muito mais do que distância física. São processos de transição espaço-temporal. Chegar lá é entrar em outra dimensão, outro ritmo... algo que me acalma.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Bate papo

Amigos, em primeiro lugar, quero pedir desculpas pelo sumiço. Este semestre vou dar aula para a turma de pós-graduação em antropologia na UFF e, por isso, tive que mergulhar nos livros para estar minimamente preparado. Vai ser uma cadeira chamada Etnografia Urbana. Já dei algumas aulas avulsas na UFF e no IFCS da UFRJ, mas nunca tive a responsabilidade de ministrar um curso. Vai ser legal porque vamos tratar de questões bem atuais da antropologia e da sociologia urbanas.

Mas, mudando de assunto, quero dar um toque. Na próxima terça, dia 13, vou participar de um bate-papo na Livraria da Travessa do Centro, com o Guilherme Studard, que fez a última edição do Rio Botequim. O tema será O botequim e o carnaval. Começa às 12h30. É isso.